Maricá é apontada em investigação do Ministério Público em conjunto com os Grupos de Atuação de Combate ao Crime Organizado (GAECO), como uma das áreas dominadas pela Narcomilícia.

Segundo um relatório do Ministério Público estadual, uma parcela da população está subjugada à chamada narcomilícia — termo que define uma união entre paramilitares e traficantes. Essa associação criminosa, de acordo com promotores e investigadores, já controla cerca de 180 localidades, onde a exploração ilegal de serviços e a cobrança de taxas de segurança passaram a ser acompanhadas pelas atividades de bocas de fumo. As narcomilícias estão na mira do Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público e do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP) da Polícia Civil. Promotores e investigadores mapearam ações realizadas em conjunto por paramilitares e traficantes nos 13 municípios da Baixada Fluminense. Além disso, esses grupos controlam comunidades das zonas Norte e Oeste do Rio e de São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Rio Bonito.

Investigações também apontam que as narcomilícias podem estar contando com a participação de políticos. Em uma operação realizada ontem pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, Jeferson Ramos de Oliveira, ex-vereador e ex-subsecretário de Obras de Nova Iguaçu, foi preso sob a acusação de chefiar uma dessas quadrilhas, que atua em Austin. Ele e Marcos Antônio do Santos Amaral, o Marquinho Alemão, também capturado, são acusados de terem ordenado pelo menos 20 assassinatos. Com ambos, a polícia encontrou armas e munição.

Segundo a promotora Simone Sibilio, coordenadora do Gaeco, o surgimento das narcomilícias provocou um aumento da violência em diversas comunidades.

— Milicianos enfrentavam quadrilhas de uma facção do tráfico, mas, em determinado momento, decidiram se unir para conquistar territórios dominados por um inimigo em comum. Hoje, sabemos que há cerca de 180 regiões controladas por narcomilícias — diz Simone: — Seus integrantes são mais audaciosos. Temos, principalmente na Baixada, inquéritos sobre narcomilianos que executaram moradores ou comerciantes que não se renderam a eles. Alguns desses crimes foram praticados à luz do dia. Há também casos de estupros.

Somente este ano, o Ministério Público denunciou 285 pessoas por suposta participação em milícias ou narcomilícias. Já o DGHPP prendeu 111 suspeitos desde janeiro, segundo o delegado Antônio Ricardo Lima Nunes, titular do departamento da Polícia Civil.

Estamos com diversos inquéritos que investigam crimes cometidos por narcomilicianos. Há relatos de assassinatos cometidos à luz do dia — explica.

O ex-secretário nacional de Segurança Pública, coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, José Vicente, diz que os altos lucros proporcionados pela venda de drogas atraíram as milícias:

Durante muito tempo houve uma crença ingênua de que, pela origem policial, a maioria dos milicianos seria avessa ao tráfico. Ocorre que, ao renunciar ao freio ético e legal, eles não tinham por que não ir atrás do lucrativo negócio do tráfico.

Na DHBF existem mais de 200 inquéritos, só de 2019, que apuram homicídios praticados por narcomilicianos. Só neste ano, a especializada prendeu 40 criminosos.

Fonte: Jornal Extra

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