Depois de ficar internado por mais de mês devido ao Covid-19, o ex-funcionário dos Correios Ocimar Guimarães, de 55 anos, poderá passar o feriado de Corpus Christi com a família. Ele recebeu alta nesta quarta-feira (10) do Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara, depois de ter passado pelo polo de atendimento e pelo Hospital Municipal Conde Modesto Leal, comprovando o funcionamento da estrutura montada pela Prefeitura para o enfrentamento à pandemia. Esse é o maior tempo de internação de um paciente naquela unidade de saúde.

Considerando-se um milagre, Ocimar conta que imaginava nem sair vivo do hospital depois de mais de um mês e duas entubações.“Vi gente morrer. Acabo avaliando que foi bom para mim porque eu amadureci como ser humano. Nem se eu tivesse todo dinheiro do mundo, não teria comprado minha vida. Então, abaixo de Jesus, estão as enfermeiras, técnicas de enfermagem e médicos que cuidaram de mim, que me devolveram o prazer de estar perto dos meus filhos, amigos, netos e toda minha família. Estou agradecido pela família que construí aqui dentro”, relata Ocimar, que tem diabetes, uma das comorbidades que agrava o estado de saúde do paciente com Covid-19.

Segundo a secretária de Saúde de Maricá, Simone Costa, esse é o resultado de muito trabalho de vários profissionais e vê-lo voltando para a família é motivo de comemoração. “Queremos dar esse tipo de notícia com mais e mais frequência: a notícia de que a vida venceu a doença. Ocimar foi internado dia 8 de maio e apresentou uma tomografia bastante comprometida”, relata, antes de complementar. “Ele foi meu vizinho quando a gente era criança e, quando soube da internação, fiz questão de acompanhar de perto o caso. Ele teve uma evolução pouco favorável no primeiro momento, mas depois reagiu muito bem até a alta”, comemora Simone.

Para as assistentes sociais Karinne Lima e Josiane Ferreira, todo paciente que fica muito tempo internado passa pela angústia do afastamento da família. “Temos essa missão de entregar a informação dos pacientes aos familiares. Ocimar foi um caso bastante específico porque precisou ser entubado duas vezes. Para nós, lidar com a oscilação dos boletins médicos, entre melhora e piora do estado de saúde, é muito difícil por conta da expectativa criada pelos familiares. Garantimos o direto da família à informação, já que, por conta da pandemia não é possível fazer visitas”, ressalta Karinne.

A filha de Ocimar, Aghata Guimarães, de 31 anos, que organizou uma comitiva familiar para receber o pai, explica que ele tinha 80% do pulmão comprometido e saber que ele verá os netos Alícia, Bernardo e Allana crescerem é a maior realização neste momento.

“Em nenhum momento nós deixamos de acreditar. Foi muito difícil, muito joelho no chão em oração, mas Deus nos deu vitória. Os profissionais da saúde de Maricá foram excelentes de todas as formas: carinhosos, entrando em contato, fizeram o possível e o impossível por ele. Foram anjos enviados por Deus. Não tenho como descrever a emoção que é ver meu pai saindo, respirando bem”, diz emocionada lembrando também da alegria do seu irmão Allan ao saber da alta do pai. 

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