Uma das ‘medidas não farmacológicas’ recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate ao avanço do novo coronavírus, o chamado lockdown (isolamento total) divide opiniões entre autoridades e especialistas. Se, por um lado, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e o governador Wilson Witzel adiam a medida que aumenta as restrições de circulação, o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, define a estratégia como a única maneira de evitar “uma tragédia ainda maior”. Opinião que é compartilhada por especialistas.

“Frente aos números crescentes de internações, casos graves e mortes, esse tipo de conduta deve, sim, ser avaliada com bastante critério dentro de um olhar técnico. Isso vai amenizar a possibilidade de um caos maior”, projeta o professor de infectologia da UFRJ Edmilson Migowski.

A opinião é compartilhada pelo médico emergencista e cirurgião Pedro Archer. Segundo o profissional, a medida drástica pode reduzir o drama dos profissionais de saúde na linha de frente do combate ao vírus: “Já é enorme a quantidade de profissionais da Saúde afastados pela covid-19. Se essa curva crescer, vai ser muito difícil termos os hospitais de campanha, e até mesmo os hospitais ordinários, em pleno funcionamento”.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos (SinMed/RJ), Alexandre Telles, embora a medida seja a mais indicada no momento, deve vir associada a medidas que beneficiem a população das favelas. “O lockdown é uma alternativa importante. Entretanto, uma restrição que reprima mais a população vulnerável, nós não podemos aceitar. Essa estratégia tem que vir associada a medidas sociais e econômicas que resguardem essa população, para que de fato fique em casa”, diz o especialista.

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