Os Beatles acabaram há exatos 50 anos. Foi Paul McCartney que anunciou o fim do grupo britânico durante uma entrevista, no dia 10 de abril de 1970.

O compositor estava divulgando o primeiro trabalho solo, “McCartney”, e acabou dizendo que não tinha planos de lançar outro disco com os Beatles ou voltar a compor com John Lennon. A banda ainda lançou o último álbum “Let it Be”, em maio daquele ano, pois as gravações haviam sido feitas meses antes da triste notícia. 

The Silver Beatles 

A história de amor pela música dos garotos britânicos começou cedo. Com apenas 16 anos, John Lennon encontrou Paul McCartney, então com 15 anos, na cidade de Liverpool (Inglaterra). Em 1957, John se impressionou com a facilidade de Paul tocar as músicas de Eddie Cochran e Gene Vincent, dois ídolos do rock´n´roll daquela época. 

Antes de ficarem mundialmente famosos como The Beatles, o grupo britânico teve outros nomes bem diferentes. Entre os destaques, estão The Quarrymen, The Rainbow, Johnny & The Moondogs, Long John & The Silver Beatles e The Silver Beatles. 

Quando a banda ainda se chamava The Silver Beatles, os integrantes usavam apelidos estranhos como Johnny Silver (John Lennon), Paul Ramon (Paul McCartney), Carl Harrison (George Harrison) e Stu Stäel (Stu Sutcliffe, primeiro baixista). 

Os famosos cortes de cabelo dos integrantes dos Beatles foram criação de Astrid Kirchner, namorada alemã de Stu Sutcliffe (primeiro baixista). Isso, hoje em dia, pode até não significar muita coisa, mas o estilo moderno gerou polêmica naquela época. 

Uma das músicas mais tocadas dos Beatles em qualquer lugar até hoje é “Twist and Shout”. Porém, a canção é uma cover. Foi feita, em 1961, pelos compositores Phil Medley e Bert Russel e fez sucesso primeiro com os Isley Brothers.

George Harrison compôs Here Comes the Sun em uma tarde ensolarada no jardim da casa do guitarrista e cantor Eric Clapton. Os músicos eram amigos e a faixa, que é umas das mais lindas canções dos Beatles, faz parte do disco Abbey Road, de 1969.

Vindo de uma outra geração e estilo diferente, Frank Sinatra sempre foi um artista muito exigente com o que gravava. Porém, Sinatra se rendeu aos Beatles. Ele gostou tanto de Something, que realizou uma interpretação emocionante da balada escrita por George Harrison.

Homenagem brasileira

Incontáveis artistas famosos fizeram homenagens aos Beatles, regravando músicas ou usando referências do quarteto em suas obras. No Brasil, por exemplo, o grupo britânico sempre foi celebrado por todos os gêneros.

Em “Qualquer Coisa” (1975), Caetano Veloso exibe uma capa influenciada por “Let it Be” e ainda canta “Eleanor Rigby”, “For No One” e “Lady Madonna”. Já o compositor Zé Ramalho lançou até o tributo “Zé Ramalho Canta Beatles”, em 2011, trazendo versões dos ídolos . 

Suposta morte de McCartney 

A história dos Beatles é repleta de boatos. A ideia mais bizarra vem de uma suposta morte de Paul McCartney, que ainda teria sido substituído por um sósia. A fofoca foi, primeiramente, noticiada em 12 de outubro de 1969, em uma rádio de Detroit (EUA). O DJ Russ Gibb recebeu um telefonema de um ouvinte falando de pistas do falecimento do cantor em músicas e capas de discos da banda. 

No dia, Gibb leu sobre isso no ar e ainda improvisou algumas loucuras a mais. Para espanto dele, os jornais locais levaram a sério a brincadeira e publicaram a lista. A antiga notícia rende teorias, livros e matérias até hoje. 

Em 1969, os Beatles eram tão famosos que nem precisaram usar o nome da banda ou título na capa do disco. A arte de “Abbey Road” é simples e imortal. Na época, o fotógrafo Iain MacMillan realizou uma sessão que mostra apenas George, Paul, Ringo e John atravessando a rua Abbey Road, em Londres. E, claro, depois disso o local virou ponto turístico, com fãs querendo reproduzir a imagem. 

Nos 50 anos da foto de “Abbey Road”, muitos fãs comemoraram a data fazendo a famosa pose da capa do disco, em Londres. A foto exibida no LP foi tirada em 8 de agosto e 1969, mas o álbum chegou às lojas mais de um mês depois. 

John Lennon assassinado 

John Lennon foi assassinado por um homem chamado Mark Chapman, no dia 8 de dezembro de 1980, em Nova York. Ele tinha 40 anos. Já George Harrison morreu, aos 58 anos, em decorrência de um câncer, em 29 de novembro de 2001.

E, atualmente, os ex-beatles vivos, Paul McCartney e Ringo Starr, continuam gravando discos solo e fazendo turnês pelo mundo. Ringo lançou o álbum “What’s My Name”, em 2019. Do outro lado, Paul, além de visitar o Brasil constantemente, divulgou o CD de estúdio “Egypt Station”, em 2018. 

Inspiração 

Ao longo do tempo e mesmo com o fim, os Beatles influenciaram gerações e mais gerações de fãs. E o grupo serviu de inspiração para milhares de artistas, seja na influência criativa, na maneira de se apresentar ou qualquer modismo vigente. Eles estão cravados em detalhes da moda e do show business mundial. 

De Black Sabbath a Nirvana, passando por Oasis e One Direction, a grande maioria das bandas e artistas trazem algo de Beatles no ‘DNA artístico’. E o que dizer, por exemplo, da idolatria que atualmente impressiona o mundo com o gênero k-pop? A beatlemania já causava ‘histeria pop’ antes de qualquer fenômeno adolescente.

Fãs de diversas gerações ainda consomem Beatles em todos os formatos possíveis. E, volta e meia, as gravadoras abastecem o mercado com edições especiais da banda, além dos trabalhos solo dos ex-integrantes. 

Em lojas de CDs e vinis no centro de São Paulo, os vendedores apontam que ainda existem beatlemaníacos de todas as idades e os discos mais procurados por ali são, principalmente, clássicos como “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, “Rubber Soul”, “Revolver”, “Abbey Road”, “Let it Be” e o ‘álbum branco’. 

Claro que os Beatles não poderiam ficar de fora das plataformas digitais de música. Uma pesquisa do Spotify revela que os ouvintes (de todas as idades) buscam canções de sucesso como “Twist and Shout”, “Here Comes the Sun”, “Come Together”, “Yesterday” e “Hey Jude”.

Já a playlist This is The Beatles tem quase 16 mil seguidores, com mais de 22 mil ouvintes mensais no mundo. E, no serviço de streaming, os paulistanos estão em segundo lugar como maiores ouvintes da banda, só perdendo para os mexicanos. 

O que levou ao fim? 

Existem muitas tentativas de explicações para o fim da banda. Teorias da conspiração apontam, como sempre, desentendimentos pessoais, artísticos e comerciais entre os integrantes. Porém, o fato é que se passaram 50 anos desde a triste notícia, mas a música do grupo continua mais viva do que nunca. 

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