Problemas como ciclo menstrual desregulado, sintomas emocionais da TPM, inchaço, candidíase e crises de herpes são alguns dos problemas que podem surgir devido à mudança de hábitos causada pelo isolamento social.

O ginecologista José Bento de Souza, do Hospital Israelita Albert Einstein, afirma que o ciclo menstrual pode se desregular. Segundo eles, o estresse, além de outros fatores, como mudanças na pílula anticoncepcional, alterações hormonais e exercício físico em excesso podem provocar o problema. O estresse pode estimular a produção de hormônios como adrenalina e cortisol, que interferem no funcionamento desse processo, conforme explica o ginecologista.

Ele ressalta que, se um ciclo menstrual sempre se manteve regular e ficou desregulado durante a quarentena, o estresse é a causa mais provável. Muitas vezes, no entanto, um ciclo menstrual desregulado pode indicar disfunção hormonal. Por isso, é importante consultar um ginecologista para obter um diagnóstico preciso.

Durante o isolamento social, podem ocorrer tambémsintomas emocionais da TPM, como desânimo e ansiedade, nos dias que antecedem a menstruação. Isso acontece devido a uma desregulação hormonal causada pela mudança de hábitos neste período, de acordo com o ginecologista. Outra explicação estaria associada à baixa produção de ocitocina, hormônio ligado ao prazer que é estimulado também pelo contato físico.

Segundo o especialista, adotar dois hábitos pode contribuir com a melhora desses sintomas: praticar exercícios físicos, que estimulam produção de endorfina, hormônio que provoca sensação de recompensa e bem-estar, e meditar, que induz um estado profundo de relaxamento, reduzindo, assim, o estresse e a ansiedade.

Outro sintoma que pode surgir no período pré-menstrual devido à desregulação hormonal é o inchaço, destaca José Bento. Isso acontece porque a progesterona ativa a produção de outro hormônio, a aldosterona, que influencia o sistema renal e provoca a retenção de líquidos.

Para combater esse problema, o especialista recomenda diminuir a ingestão de sal, pois o ingrediente faz com que o corpo retenha líquidos. As mulheres também podem aproveitar esse período de isolamento social para pôr as pernas para cima e caminhar pela casa. Isso facilita o retorno venoso, ou seja, o sangue retorna mais facilmente de outras partes do corpo até o coração, reduzindo, assim, o inchaço.

A candidíase é uma infecção vaginal causada pelo fungo Candida albicans e acomete 75% das mulheres ao longo da vida, segundo a Febrasgo (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia). Esse fungo está presente no próprio organismo, mas, em caso de queda na resistência, pode causar o problema. O principal sintoma é a coceira, que pode vir acompanhada de corrimento esbranquiçado. Entre os motivos que tornam o canal vaginal propício à candidíase, segundo José Bento, está o consumo excessivo de doces e carboidratos, pois o fungo se alimenta de açúcar.

Uma das formas com as quais algumas pessoas lidam com a ansiedade é comendo alimentos que lhes dão prazer. O especialista alerta, no entanto, sobre a importância de aumentar a ingestão de verduras, legumes e hortaliças e incorporar à dieta bebidas probióticas, como kombucha e kefir, que melhoram a flora intestinal, prevenindo, assim, a candidíase.

O herpes labial ou genital também pode aparecer durante o período de quarentena. É comum que crises de herpes sejam desencadeadas em momentos de estresse, segundo o médico. Quando se está estressado, o nível do cortisol, o hormônio controlador do estresse, aumenta e o sistema imunológico cai.

José Bento destaca que a forma mais eficaz de prevenir crises de herpes é cuidando da saúde de forma geral. Isso inclui ter uma dieta balanceada, se hidratar, dormir bem, praticar exercícios físicos regularmente e, principalmente, cuidar da saúde mental.

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