Mais uma pessoa deixará o mandato no governo do Estado sobre o comando de Wilson Witzel. Nesta segunda-feira (22), o secretário estadual de saúde, Fernando Ferry, vai entregar sua carta de demissão ao governador do Rio. Ferry assumiu o mandato da pasta em questão no dia 18 de maio e, com menos de um mês no poder, ele vai renunciar ao cargo. O médico disse que “tentou resolver os graves problemas da saúde” em um vídeo publicado na Tv Globo. No lugar de Ferry foi anunciado, nesta segunda-feira (22), pelo governo do Estado, que o novo secretário de Estado de Saúde será o coronel médico do Corpo de Bombeiros Alex Bousquet.

Ferry entrou no lugar de Edmar Santos, que foi exonerado pelo próprio Witzel em meio ao caos das investigações de irregularidade na saúde do Estado.

“Hoje estou pedindo exoneração do meu cargo de secretário de Estado de Saúde do Rio de Janeiro. Queria dizer que eu tentei. Eu agradeço ao governador por ter me dado esta oportunidade de tentar resolver estes graves problemas que estamos vendo na saúde. Eu só queria dizer mais uma coisa: peço desculpas à população. Mas a única coisa que eu tenho a falar: eu tentei. Obrigado e espero que vocês me desculpem”, disse o médico em vídeo para o “Bom dia Rio”.

Ferry teria tomado essa decisão no último dia 19, após, através de um estudo, constatar que os hospitais de campanha não eram necessários e não deveriam abrir. O caso foi noticiado também pela Tv Globo.

“Entendemos como não recomendado a abertura dos cinco hospitais de apoio estantes como leito para Covid-19 e a readequação dos hospitais já inaugurados a demanda atual da população”, informaram os especialistas responsáveis pelo estudo junto com Ferry.

Segundo os especialistas que estudaram o caso e Ferry, os hospitais de campanha não são necessários, pois os leitos disponíveis no município não estão ocupados com 100% de pacientes. “Considerando que atualmente a taxa de ocupação de leitos dedicados ao tratamento dos pacientes vítimas de Covid-19 nas três esferas do governo no município do Rio de Janeiro é de 37,58% dos leitos totais e 55,81% dos leitos operacionais conforme”, dizia a carta de Ferry.

O documento também informava que: “considerando a possibilidade de uma segunda onda após a flexibilização, ainda assim podemos ofertar assistência à população com a ativação dos leitos que ora se encontram impedidos”.

Segundo eles, o preço dos hospitais é de alto valor para o município e causou divergências entre Ferry e Witzel. “Considerando que, o custo mensal com RH por leito de UTI no hospital de apoio é de R$ 43.780,82 e por leito de enfermaria com RH é de R$ 33.951,45”, dizia outro trecho do documento.

Ferry é conhecido por sua experiência no campo do tratamento da Aids, o médico era diretor do Hospital Universitário Gafrreé e Guinle quando foi anunciado, no dia 17 de maio, como secretário de saúde do Rio. O médico foi escolhido no lugar de Edmar Santos, que foi exonerado de seu cargo, após serem divulgadas diversas denúncias de fraudes de licitações na compra de respiradores em seu mandato e no governo de Witzel. Os respiradores, essenciais no tratamento do coronavírus, seriam entregues no dia 30 de abril aos sete hospitais de campanha do Estado, que seriam unidades de saúde focadas no tratamento dos pacientes com o coronavírus. No entanto, apenas dois hospitais foram inaugurados no prazo prometido.

O novo secretário de saúde anunciado, Bousquet, atua no Corpo de Bombeiros há 20 anos e é especialista em terapia intensiva pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Ele, que é graduado pela Uerj, foi diretor do Iaserj (Instituto de Assistência aos Servidores do Estado do Rio de Janeiro) e trabalhou como médico de resgate para a Petrobras entre 2008 e 2012, na Bacia de Santos. Bousquet tem duas pós-graduação: uma em Gestão Operacional nas Organizações de Saúde pela Fundação Ceperj e outra em MBA Executivo em Saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De acordo com o boletim do divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, até o último domingo (21), foram divulgados cerca de 96.133 casos confirmados de pacientes com coronavírus e 8.875 óbitos pela doença no estado. Ainda foram registrados 1.152 óbitos em investigação, 290 casos descartados e 76.821 pacientes se recuperaram da doença. A capital ainda é o local com mais casos da doença no Estado, registrando um número de 50.430 pacientes com coronavírus.

© 2020, Redação Maricá. Todos os Direitos Reservados.

error: O conteúdo está protegido !!
× Como podemos te ajudar?