O aumento do consumo de álcool durante a quarentena relatado por 18% dos brasileiros em pesquisa da Fiocruz traz mais preocupações para os profissionais da saúde. Associado à frequência de se sentir triste ou deprimido, esse crescimento teve maior registro entre as pessoas de 30 a 39 anos (26%) e a menor entre os idosos (11%).

Nesse cenário, o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), referência nacional no tema, reforça a importância do controle do consumo de bebidas alcoólicas. “Cuidar da saúde física e mental tornou-se essencial no atual momento e lançar mão de estratégias para beber de uma forma menos arriscada à saúde é um desses cuidados”, destaca Arthur Guerra, psiquiatra e presidente do CISA.

A Organização Mundial da Saúde adverte que nenhuma quantidade de álcool é considerada absolutamente segura para a saúde e há determinadas situações em que o uso é inaceitável (menores de 18 anos, gestantes, motoristas, quem faz uso de medicamento que interage com a substância ou tem alguma condição de saúde que pode ser agravada pelo álcool). Para quem está fora dessas condições e decide beber, algumas medidas podem contribuir para o controle e até redução da ingestão de bebidas alcoólicas:

1) Conheça as medidas e limites para o consumo de baixo risco: contar o número de doses é a estratégia mais eficaz para reduzir danos relacionados ao álcool a curto e a longo prazo. Mas o que significa uma dose de álcool? O CISA explica que corresponde a 350 mL de cerveja, 150 mL de vinho ou 45 mL de destilado. Outro conceito importante e pouco conhecido é o do consumo de baixo risco, que são limites que minimizam o desenvolvimento de problemas de saúde a curto e longo prazo associados ao álcool. Para mulheres e pessoas acima de 65 anos, a recomendação é não ingerir mais que 3 doses em um único dia, sem ultrapassar 7 doses na semana; para homens, máximo de 4 doses em um único dia e não exceder 14 doses na semana. Esse é um parâmetro recomendado, mas é preciso reforçar que não é uma regra para todos, pois os efeitos do álcool variam bastante de pessoa para pessoa.

2) Registre seu consumo: anote quantas doses consome e em quanto tempo. Você pode usar um calendário, agenda ou aplicativos do seu smartphone. Parar e marcar cada dose pode ajudá-lo a desacelerar quando necessário.

3) Programe-se e controle seu ritmo: escolha previamente os dias em que você vai beber e defina horário para começar e parar. Lembre-se que, quanto mais rápido a pessoa beber, maior o risco de desenvolver transtornos por uso de álcool. Uma medida eficaz nesse sentido é intercalar o consumo de bebidas alcoólicas e não alcoólicas. Se você escolher água, melhor ainda!

4) Identifique motivos e gatilhos: padrões de consumo nocivos estão associados ao enfrentamento de problemas e sentimentos negativos (dor, tristeza, frustração e ansiedade). Reconhecer o que desperta sua vontade de beber permitirá que busque alternativas para lidar com essas questões, como contar com o apoio da família e amigos ou ocupar o tempo livre com atividades saudáveis e livres de álcool.

“O grau de dificuldade para reduzir o consumo ou parar de beber dependerá das características pessoais do indivíduo, da quantidade de bebida que costuma ingerir e se já apresenta complicações de ordem emocional, física ou interpessoal decorrentes desse uso”, explica o presidente do CISA, que recomenda a busca de auxílio do médico de confiança ou de um psicólogo para uma avaliação detalhada, se houver dificuldade nesse processo.

Sobre o CISA

O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) é uma das principais referências no Brasil sobre o tema e, ao longo dos 16 anos de atividades, tem contribuído para a ampliação do debate sobre a relação álcool-saúde e para a conscientização e prevenção do uso nocivo de bebidas alcoólicas. Qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), a instituição dedica-se ao avanço do conhecimento na área, atuando na divulgação de pesquisas e dados científicos com linguagem acessível, elaboração de materiais educativos e desenvolvimento de projetos. Seu acervo digital é formado por publicações científicas reconhecidas nacional e internacionalmente, estatísticas oficiais (governamentais) e conteúdo de qualidade publicado em jornais e revistas destinados ao público em geral. Nas redes sociais, possui canais ativos no Facebook, Instagram e YouTube, acesse!

Fonte: Folha Vitória

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