A retomada das atividades econômicas e cotidianas durante a pandemia da Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, precisará ser gradual, monitorada e acompanhada de medidas preventivas, como distanciamento social, limpeza das mãos e uso de máscaras em ambientes aglomerados, como o transporte público, segundo infectologistas.

Eles alertam que empresas e comércios terão que se adaptar à situação mudando rotinas anteriores. Refeitórios, por exemplo, são desaconselhados. Vestiários com aglomeração na entrada e saída, também, e as estações de trabalho compartilhadas precisam ter produtos de limpeza à disposição para desinfecção.

Confira os principais pontos levantados pelos médicos infectologistas Rosana Richtmann, Jean Gorinchteyn, e Leonardo Weissmann, todos do Hospital Emílio Ribas e membros da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI):

  • Distanciamento social segue sendo a melhor medida de prevenção
  • A limpeza das mãos deve ser permanente
  • No transporte público, o uso de máscaras é imprescindível
  • Aglomerações devem ser evitadas
  • Jornadas de trabalho com horários flexíveis deverão ser adotadas
  • Nos escritórios e comércios, é preciso que os trabalhadores fiquem a 2 metros dos colegas
  • Onde for necessário compartilhar uma estação de trabalho, é preciso oferecer produtos de limpeza para desinfecção
  • As medidas serão necessárias enquanto o vírus estiver circulando

As recomendações ocorrem porque a transmissão do vírus ainda não está contida e pode continuar infectando mais pessoas e pressionando o serviço público de saúde, que ainda não tem leitos e respiradores suficientes para tratar os pacientes. Até as 15h30 desta quarta-feira (22), o Brasil contabilizava quase 3 mil mortes por Covid-19 e mais de 45,7 mil casos confirmados.

Para a médica infectologista Rosana Richtmann, a retomada das atividades precisa ser planejada.

“A retomada das atividades vai ter que ser feita de forma racional, gradual, e medindo resultados. Não pode ser todo mundo ao mesmo tempo. Precisamos, sim, ter disponibilidade de testes para entender o que está acontecendo com a população e checar a disponibilidade de leitos hospitalares – não dá para liberar com 100% dos leitos ocupados, por exemplo. Isso precisa ser monitorado de perto”, afirma Richtmann.

Nesta quarta-feira (22), o ministro da Saúde, Nelson Teich, disse que o governo federal prepara uma diretriz que será apresentada na próxima semana para orientar cidades e estados na flexibilização do distanciamento. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também anunciou a reabertura gradual da economia no estado a partir do dia 11 de maio.

Cuidados na retomada

O infectologista Jean Gorinchteyn, do Hospital Emílio Ribas e membro da SBI, afirma que as máscaras são essenciais para evitar novas transmissões.

“Enquanto não tivermos vacina, a máscara deve fazer parte do vestuário das pessoas. Elas precisam entender que vão usar máscara e devem usá-las”, afirma Gorinchteyn.

A máscara é uma barreira física importante porque há pessoas infectadas pelo novo coronavírus que não desenvolvem sintomas, mas transmitem a doença. Estudos apontam que até 60% das transmissões ocorrem por meio pessoas sem sintomas da Covid-19.

“Vai ter importante ter o uso da máscara como uma barreira exatamente porque ainda vamos ter gente infectada assintomática, que não sabe que está transmitindo o vírus”, afirma Richtmann.

Mas, quando usá-las? Os infectologistas Richtmann, Weissmann e Gorinchteyn são unânimes em dizer que o uso de máscaras deve ser obrigatório no transporte público.

“É o tipo de local que você não vai conseguir manter o distanciamento de pessoas – estamos falando de, no mínimo, 1 metro”, afirma Richtman.

Nas empresas, o distanciamento social ainda será necessário. As estações de trabalho precisam estar a 2 metros entre cada uma e os ambientes devem estar arejados e ventilados.

“As empresas precisam entender que tem que mudar. Não pode manter refeitório, não pode manter aglomerados em picos de horários nos vestiários, por exemplo. Essa reflexão terá que ser feita por cada um dentro da sua empresa. Será necessário flexibilizar horários, diminuir turnos turnos, disponibilizar álcool em gel ou pias para lavar as mãos”, afirma Gorinchteyn.

Nestes locais, o uso de máscara pode ser flexibilizado. “Dentro do escritório, se eu trabalho sozinho, não precisa – vamos lembrar que a máscara não pode ser usada por mais de 2 horas. Estou sozinho, não uso. Vou receber alguém ou fazer uma reunião, coloco máscara”, recomenda o infectologista.

“Enquanto houver circulação de vírus, o uso de máscaras e a lavagem de mãos será recomendado. Por quanto tempo? É complicado dizer. Vai depender da vigilância enquanto ainda tivermos transmissões”, afirma Richtman.

“O tempo que essa medida será necessária dependerá do tempo de evolução da epidemia em cada local”, afirma Weissmann. Até lá, será preciso “manter a máscara, higienização frequente das mãos, etiqueta respiratória e distanciamento físico em todos os locais”, recomenda Weissmann.

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