Vitor Kley passava horas e horas no quarto tocando e compondo quando morava com os pais e o irmão Bruno, hoje seu empresário, em Balneário Camboriú (SC).

Tanto que a família pedia para ele “sair da bolha”, quando precisava da atenção dele. Foi nesse “universo paralelo” que escreveu centenas de música até chegar a “O Sol” e “A Bolha”, faixa-título do álbum que Kley lançou na semana passada.

Mais do que pop folk, o cantor apresenta músicas com arranjos não tão típicos dos outros trabalhos, com instrumentos de sopro, cuíca, cavaco e até um coral.

“O álbum está muito diversificado. A gente fez mesmo o que as músicas pediam, não se concentrou muito na unidade e saiu essa loucura, essa mistura louca”, explica ao G1, por telefone. “É o álbum que é mais o Vitor”.

Tudo já estava pronto antes da pandemia e a previsão inicial era de lançar o álbum em abril. Ele optou por esperar um pouco, mas como a quarentena tem rendido muitas músicas novas, achou melhor lançar agora, aconselhado pelo produtor Rick Bonadio.

“Esse disco está aí para fazer bem para as pessoas, é uma forma de abraçar as pessoas mesmo estando longe.”

Kley lamenta que os planos da turnê foram adiados e diz que no começo do isolamento sonhava que estava entrando no palco.

“Minha cabeça é voltada para show, já imagino a galera cantando as músicas nos shows, colocando a mão pra cima”.

Disco com mais liberdade

Kley diz que ficou mais solto para fazer as músicas nesse disco e por isso deu uma “pirada”.

“Era muita ideia, muita coisa ao mesmo tempo. Eu tinha certeza, mas ao mesmo tempo ficava com dúvida. Agora eu vejo tudo pronto e era exatamente isso que eu queria, aí minha piração deu uma sossegada.”

A entrada de novos instrumentos, sonoridades diferentes e o disco como um todo são vistos como um momento de maturidade na carreira pelo próprio cantor gaúcho.

“‘Anjo Mulher’ é um samba rock, tem metal, cuíca, cavaquinho, mas ao mesmo tempo sou eu cantando, então não parece com algum cantor de samba rock”, explica.

“‘Retina’ lembra um pouco Red Hot Chilli Peppers, mas não é bem inspirada na banda”, diz.

Anderson Paak, Harry Styles, Seal e Supertramp estão entre os artistas que Kley escuta bastante. Para o disco, ele e Bonadio foram buscar referências em Quincy Jones, Kool & The Gang e Peter Gabriel.

“A gente só escutou assim para pegar umas referências de elemento, mas acho que o álbum não parece com nada mesmo”, defende.

“Vai na Fé” e “Menina Linda” estão entre as doze músicas do disco, que conta com duas participações de amigos do novo pop brasileiro: Vitão em “Jacarandá” e Jão em “Dúvida”.

As músicas seguem na pegada alto astral, good vibes com pitadas de romance. Em “Ponto de Paz”, Kley canta “Exemplo de amizade, respeito e compromisso, do osso ao filé mignon, desde 2010 a maior fã do meu som”.

Questionado quem era a musa inspiradora, o cantor diz que só depois de gravar percebeu que a música é sobre a relação que ele tem com o irmão Bruno. A partir de então, ele passou a cantar “o maior fã do meu som”.

Tudo roxo

Tudo em “A Bolha” é roxo: capa, roupas e até os anéis que Vitor tanto gosta ganharam pedras da cor.

A ideia surgiu depois dele sonhar com o roxo e confirmar o desejo de empacotar o trabalho ao ouvir no rádio um especialista falando que seria a cor de 2020, na van indo para o show na virada do ano no Rio de Janeiro.

“Não parece que eu entrei no roxo, parece que o roxo entrou na minha vida. Parece que ele começou a aparecer mais e ficar mais evidente pra mim”, diz.

Escolher uma cor para um disco não é novidade e isso já foi feito por Justin Bieber, Twenty One Pilots e mais recentemente pelo Fresno. Mas, para Kley que estava vestindo roupa roxa na entrevista, também virou superstição:

“Eu vejo uma coisa roxa e já penso ‘vai dar tudo certo’. Se vejo uma árvore roxa quando estou no carro, penso ‘estou no caminho certo’. É tudo assim agora”, explica.

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